7 de agosto de 2012

A essência da certeza

O que você faria se houvesse um dia a mais?
Se a certeza do fim eminente fosse prorrogada?
O que fazer quando todos os seus pesadelos estão acordados?
Você dormiria?

Não há fé, não mais...
Lutar contra a morte já anunciada,
Todos os esforços fracassados...
Você dormiria?

A ruína da esperança traz a paz,
A vontade de persistir deveras perdida
São meus mártires e meus desejos acorrentados...
Você lutaria?

Então veio num segundo atrás,
A certeza de que jamais
Deixarei os que ficam para trás
Pois nesse corpo ainda jaz
A certeza de que posso partir em paz
E vos deixo meu amor, embora em dor, 
E carrego aonde for, noite e dia
A certeza de que serei lembrado...
Você deixaria?


-Igor Thomas

Descanse em paz André Henrique Vieira...




15 de maio de 2012

Botas de couro

Acordou com os lábios ressecados
O fogo das velas oscilava hipnoticamente
Sombras projetavam-se como pecados
Nas paredes de sua mente doente...

A tênue luz revelava as entranhas do quarto 4
A sombra escapava entre os seus finos dedos 
Enquanto uma surreal pintura saltava do quadro
No canto do cômodo jaziam seus impuros medos

Num estado latente poderia dormir por mil anos
Sonhando um sonho de lágrimas feitas de cores 
Caprichos da loucura ébria e seus efeitos indolores
E o cheiro do coito propagava-se aos cantos


Criaturas do submundo e do desejo
Vênus em pele de mulher
Meretriz em botas de couro
Em seus adornos vorazes que usava para qualquer...


E se a rameira não fosse sua, Não seria de outro alguém...
Criança da noite, cure seu coração
Chicoteie o corpo nu de outrem
Antes que o seu próprio chegue ao chão...


O Couro e Látex brilhavam no escuro
Desenhando o corpo da jovem galdéria
Sem movimentos jazia seu corpo impuro
Sonho de mil noites era ela...
feéria... 



-Igor Thomas


25 de março de 2012

May Belle

Belaz Belle
Todos os panegíricos são para ela
Voraz e Bela
Incita desejos com a pálida pele

Minha rosa escarlate
Tu és a mulher que eu sempre quis
Minha Flor de Lis
A inspiração para toda a arte


E seus movimentos fazem-me ver mágicas d'outro mundo
Quando dança, Ela filha da noite e do dia
Leva-me aos sonhos em que eu morreria
Para ter seu corpo apenas por um segundo


E seus olhos de esmeralda
Perfuram minh'alma dormente
Ascendendo-a de forma latente
Deixe-me tê-la, Ó minha amada

May Belle
Minha Dulcineia
Musa da minha epopéia
Por você eu abdicaria o céu


Ó Lucifer
Deixe-me ao menos uma vez
Entrelaçar-me ao cabelo carmin e tocar a pele
De May Belle...


-Igor Thomas

12 de fevereiro de 2012

Vento do Norte


A nua pele pálida perece
Sob a pútrida e pestilenta prece
Enquanto à treva adormece
Cálida carnífice calada
Sinto, na face, o voraz vento vindo do norte
Cantarolando o som da morte

Repousa o volátil corpo pouco
Ao lado do féretro opaco, negro
Fez-se sua sepultura ao som rouco
Do vento do norte, vento da morte
Levou-te para longe, deixando-me à própria sorte

E a memória martiriza minha melomaníaca alma
Mantendo-me ligado a ti
Eterna e melodiosamente em minha mente doente
Porém nunca mais aqui

Mente doente, Oh Deus... Lembro-me lentamente
Não fora o vento do norte
Não fora esta a causa da tua morte!

Você veio a mim, linda e lapidada, amante calada....
Tão bela que quis conservar-te assim, minha amada!

Envenenei e matei meu amor na noite passada...



-Igor Thomas

27 de dezembro de 2011

Para Os Lábios


Cognoscitivo tempo doente
O som dos segundos soam
Como horas, corroendo-me lentamente
Meus sonhos tomam asas e voam


Rastejando os dias sem tua presença
Onde não há nada além da doença
Doença lascívia do meu desejo
Propagando-se desde teu beijo


Dédalos lábios lascivos, latentes, ardentes...
Ah! Como grassa em minha mente!
Ah! Como desejo-te veementemente!
Tocar teus lábios lascivos, latentes, ardentes...

E novamente vem o tempo...
Carregando-me lentamente rumo a você
Levando o que há aqui dentro
E deixando-me à sua mercê


As horas se arrastam e o ponteiro mal percorre seu caminho...
Sei que nos veremos em breve,
Porém, essa noite dormirei sozinho...




-Igor Thomas

23 de novembro de 2011

Mephistopheles


I
Faust:
 
Claiming immortality
No one ever thinks
For us, there’s no eternity
This cup of poison we all drink

There comes the time to join the dead
When all hope is lost it’s been said
He appears with his grinning face
A temptation in all possible ways…

II
Mephistopheles:
 
I’m the god of a second chance
Would you like to join me in this dance?
I shall set you free
There’s no need to bleed

Now you claim to be alive
I shall ease your suffering
There’s no need to strive
To be saved I just ask for one thing…

III
Faust:

Frightened by the demon in front of me
While I feel the darkness grow around
Am I going mad? Still, I can’t believe
This madness knows no bounds…

Who are you endless creature of darkness?
What do you seek in a poor dying man?
Would you try to make me faithless?
Won’t you kill me? I know you can…

All I wanted was a second chance
A chance to do it right this time
To live again, this time I want no pain
Then I’ll share your dance
And everything shall be mine
I’m now prepared, to call you then…
Mephistopheles!

IV
Mephistopheles:

I am the one you seek
But you can never find
I am the one who molds the night
The full moon of your endless sin

I just ask for your soul
So hold my hand now
You are not alone, no!
You may have it all!

V
Faust:

His eyes ablaze
My mind, a maze
My freedom I chase
I just want to laze

So I closed my eyes
Took his hand and heard his lies
Weak I was, my soul I toss
In the hellish fire and moss

VI
Mephistopheles:

You are my Faust
My new little toy
You’ve paid such a cost
To whom just wanted joy

Now you are mine
And there is nothing divine
That can save you from me
Now get down on your knees
And pray to Mephistopheles!


-Igor Thomas

11 de novembro de 2011

The Poem


So I wrote her a poem,
A poem of love and lust
To love her, write I must
A poem.


And in that poem
Lies my very soul
Oh, that poem
I Shall not let you go


I carry the words, I carry them
To her, my love, my maiden
My beautiful bride to whom I cry
But my tears, I may not dry


Endless poem of mine
Poem written in lies
Pretending you are still alive
I wish I could see your eyes...


But now I realize...
This poem... is a lie...




-Igor Thomas



O Poema

Para ela, escrevi um poema
Um poema de amor e luxúria
Para amá-la, eu escreveria
Um poema


E naquele poema
Minha alma jazia
Ah, aquele poema
Ir, eu não te deixaria


Eu levo as palavras, eu as levo
Para ela, meu amor, minha donzela
Minha noiva por quem choro
Mas não posso secar sequer uma lágrima


Infindo é meu poema
Poema escrito em enganos
Fantasiando que estás viva
Se eu pudesse ver seus olhos...


Agora eu percebo...
Este poema... Não é verdadeiro...

-Igor Thomas

Ps: O original em inglês é muito melhor...

5 de novembro de 2011

Metapoesia


Se me perguntassem sobre poesia
"Não é nada demais" eu diria...
Não precisa de rima como acima,
Nem de métrica ou ou palavriado complicado, entrelaçado, armado e invisível. Não há motivo para escrever em verso, a prosa é tão bem vinda quanto o ardor dos versos sem sabor e sem sentido escondidos de baixo da cama.


NãO hÁ uMA FormA:                 C
                                                        A
                                                            I
                                                              R
                                                            I
                                                         A e sorria diante da poesia!
Pode ser AGRESSIVA! ou calma como um(a) __________?
Ela pode levar-te aos seus sonhos e seus amores. Pode pode pode podeR
Não há a mesma poesia para duas pessoas, o que EU leio não é o que VOCÊ lê
As palavras brincam e se escondem, é tudo um jogo, um jogo de EU e VOCÊ.
                                        Como a palavra PENA formada nas iniciais dessa estrofe!


Essa poesia tem sabor de estrogonofe!


Não há um paradigma, a poesia está em cada um...
Cada um que espera o momento certo para poetizar...
Poetizar um sentimento que não cabe em "Eu amo você"...
"Eu amo você" que se torna poesia em teu olhar


Sempre pensamos em algo ao escrever...
Às vezes é fácil adormecer
Quando escrevo, só penso em você...


Isto é a minha poesia, de um Igor poeta, quem diria?




-Igor Thomas