7 de maio de 2026

Às horas

Sem pressa...

As horas em sentido anti-horário

Urdem contra o encontro consumado


Dias de dores desconhecidas

Angústia — Ah, quantas horas perdidas

De novo, catatônico, expresso meus medos

E anseio pelas horas apressadas que nos escapam pelos dedos


- Igor Thomas

27 de janeiro de 2026

Morada










À pele a peleja permanece
Plena ao deleite do toque ameno
Aveludada, o anátema arrefece

Trazendo trovas e ternura em têmeno
Vocifera em sonho comigo, em sonho contigo
Taciturna cadeia catárdica, tal fenômeno

São dias demasiados de castigo
Aqueles que, em querer, conjuro você
Somente assim, sigo são, e, em abrigo

Na alvorada nevoada mal se vê
O entardecer da morada que, em mim, surgiu. Logo, Vá
Nessa noite nossa que resolvemos, juntos, viver.


-Igor Thomas


1 de fevereiro de 2016

O Céu, o Mar e Eu.
















Outrora assisti o Céu
Inalcançável, impossível 
Sempre presente, sempre distante
Azuláceo absoluto e hipnotizante

Outrora contemplei o Mar
Profundo e misterioso
Tentador e, por vezes, perigoso
Exatamente onde queria estar 

Outrora observei o dia
E então, quem diria?
Quem diria que um dia
O impossível e profundo aconteceria

O Céu veio a mim, juntou-se ao Mar
Projetou luz num olhar
Decidiu então me abraçar
Ahh, o profundo Mar.

Sussurrava o som das ondas em meu ouvido
Assim como o bater das asas de um pássaro perdido
Mistérios das mais profundas águas
E verdades sobre os mais altos voos das águias

E assim como um sonho bom, o Céu partiu
O Mar, ao longe, sorriu e dormiu
Ainda recordo-me do toque, do cheiro
Ao olhar fios do Céu cabelo espalhados pelo travesseiro.


-Igor Thomas

26 de outubro de 2015

Animal

 













A solidão é ausência da doença
A falta de dependência (E com isso)
A virtude da crença

(Não tê-la)


É a vitória vociferada do ser seu

E o conhecer pleno do réu
Escondido, insano atrás do véu

(Há de ser)


Incansável

Insensível
Implacável

(Uma dádiva)


Outra vida, outra morte

Ou talvez não se importe
Olhando desdenhosamente o corte

(Da alma)


Unificando-se com o vazio

Urrando seu brado, dormiu
Último suspiro do que nunca se viu.


-Igor Thomas

8 de outubro de 2014

Milenar


























À alva alba há
Nada além do anátema
Este ermo espírito
Liberto e libertino
Infindo e incandescente
Mártir milenar

Mil mortes morreria
Incessável, inabalável
Leal, lacônico e lascivo
Este cabal espírito
Nunca há de negar
Amar a alva alma tua

Como quem ama o luar...

Pois o tempo é infindo quando o amor é cármico e milenar.

-Igor Thomas



18 de dezembro de 2013

Regrets













You talk about regrets.
What is the truth behind that?
Ain't it just way to forget?
Ain't it just another excuse for being sad?
After all, the "farewell" has been said.  

-Igor Thomas


1 de outubro de 2013

Outubro


Outro Outubro que outrora trouxe a chuva

Une e Ostenta noutro tempo a tentativa falha

Tentativa tentadora de escapar da melancolia

Urde os fios árduos do destino com navalha

Buscando a dor e a paixão na calmaria

Restam a perda e as dores dos renegados

Outro Outubro traz outra chuva, mas não meus pedaços remanescentes nOutubros passados.


-Igor Thomas

11 de junho de 2013

I - Gula

Sacia-se saboreando-se, sanguessuga do deleite divino
Sugando com sede o seu Senhor, redentor

Sonolência do sabá sereno, um inquilino
Satisfaz solenemente sua gula em torpor

A lança dilacera as entranhas lascivas
Dos lacaios latentes de vossa crença
Lança a lança e queima-as ainda vivas
Leva-as em chamas ao Senhor por sua ofensa

Apanha para si os votos e vozes apagados
Golpeie-me com o vosso batismo sagrado
Faz-te rico e carregue nas costas o peso dos muitos
Que por vossa fé jazem em seus túmulos
Beatifique-se com o ouro dos sem luz
E,
Engula com gula todo o ódio carregado na cruz.

-Igor Thomas

4 de abril de 2013

Habitual Veneno


Sádico,
Latente e fatídico
Habitual e empírico

Traz o vinho que queima em minhas veias
Ardendo sob a pele lasciva
Acorrenta-me em tuas libidinosas teias

E assim eu respiro você, lúbrica
Ao afastar-me sou trazido de volta
Aos teus braços, à tua vida

Promessas escorrem da língua
Como um veneno que esgota minha essência

Cativa aos seus toques, ela míngua

E a morte certa é bela ao seu lado
Não desejo ser salvo
Você é o meu pecado

Envenena-me outra vez
Somente para assistir sua presa
E assim saber o que fez
E que para sua surpresa,

Seja doce o seu veneno
Habitual veneno,
Ao qual sou resistente
Porém, dependente.


-Igor Thomas

3 de dezembro de 2012

O Silêncio




Soa o sino que anuncia o sinal do cessar
.
A sombra seca que seca o ser sombrio

E sacia a sede de o sacramento sabotar
Saboreando o som do silêncio vazio.

Valendo-se do voraz vestígio vão
Voa valente voz da minha visão
Vital virose que mantém-me são
Vozeando os ventos um Fabordão


Fantasias funestas e fúnebres do fim
Falácias fatídicas de pouca fé
Fincadas no fundo féleo de mim
E feliz é o que inda está de pé


Sentindo a soberba sinfonia dos prazeres
Que vai e volta várias vezes
Fazendo do fim um presságio vazio

Onde eu, homem sem fé, me silencio.


-Igor Thomas

Estações

Folhas c
              a
                 e
                   m
mas ainda é verãO
 
                                    
                                      r ima

O que era   p  rim   a
                                   rima
                                    
v
                            e
                            r
                            a

tornou-se inverno em meu coração.


-Igor Thomas

5 de novembro de 2012

e. e. cummings II




l(a                                s(uma                            i(u
le                                 pé                                  ma
af                                 ta                                   fo
fa                                 la                                   lh
ll                                  ca                                  ac
s)                                  i)                                   ai)
one                              ol                                   s
l                                   i                                     o
iness                          dão                                 lamento



Tradução por Igor Thomas.
Poema original de e. e. cummings


Possíveis traduções para o poema  "l(a leaf falls)oneliness", onde a essência é a solidão. Houve um jogo de palavras na primeira tradução com o "s(uma" brincando com o verbo "sumir" que está intrinseco na "solidão". Já na segunda tradução a brincadeira foi com "Lamento" da palavra escolhida "Isolamento" que exemplifica bem a essência do poema original... Coisas que não estão no poema original mas que deram um toque refinado às traduções que fiz, e, obviamente, não se comparam com o original.

Black Heart

MY                                 AS
 HEART   IS   
DARK    THE NIGHT
AND     THE     HATRED     BURNS     INSIDE
SORROW   OF    THE    BRIGHT    MOONLIGHT
THE     BLOOD     OF    THE    OCEAN’S     TIDE
EAGERLY    I    WISH    THE    MORROW
FOR  I  AM  NOW  A HOLLOW
WITH  NO  TOMORROW
AND  NOW
HOW
?

4 de novembro de 2012

Mourir



Mordia suavemente os lábios
Enquanto eu a fitava tentadoramente
Linda senhora nossa, somos seus lacaios
Leve minha dor, torne-me dormente

Apague o brilho dos meus olhos
Carregue minha centelha incandescente
Acolha-me em seus galhos
Ramificações de um ser doente

Quero estar ao teu lado
O Eu que se afunda em amargura
O outro Eu que carrega esse fardo

E ela, lasciva, lia e olhava
Dona do nosso óbito
Sorria,
E dizia,
“Em breve” enquanto
A vida, de volta me puxava.

-Igor Thomas

7 de agosto de 2012

A essência da certeza

O que você faria se houvesse um dia a mais?
Se a certeza do fim eminente fosse prorrogada?
O que fazer quando todos os seus pesadelos estão acordados?
Você dormiria?

Não há fé, não mais...
Lutar contra a morte já anunciada,
Todos os esforços fracassados...
Você dormiria?

A ruína da esperança traz a paz,
A vontade de persistir deveras perdida
São meus mártires e meus desejos acorrentados...
Você lutaria?

Então veio num segundo atrás,
A certeza de que jamais
Deixarei os que ficam para trás
Pois nesse corpo ainda jaz
A certeza de que posso partir em paz
E vos deixo meu amor, embora em dor, 
E carrego aonde for, noite e dia
A certeza de que serei lembrado...
Você deixaria?


-Igor Thomas

Descanse em paz André Henrique Vieira...




15 de maio de 2012

Botas de couro

Acordou com os lábios ressecados
O fogo das velas oscilava hipnoticamente
Sombras projetavam-se como pecados
Nas paredes de sua mente doente...

A tênue luz revelava as entranhas do quarto 4
A sombra escapava entre os seus finos dedos 
Enquanto uma surreal pintura saltava do quadro
No canto do cômodo jaziam seus impuros medos

Num estado latente poderia dormir por mil anos
Sonhando um sonho de lágrimas feitas de cores 
Caprichos da loucura ébria e seus efeitos indolores
E o cheiro do coito propagava-se aos cantos


Criaturas do submundo e do desejo
Vênus em pele de mulher
Meretriz em botas de couro
Em seus adornos vorazes que usava para qualquer...


E se a rameira não fosse sua, Não seria de outro alguém...
Criança da noite, cure seu coração
Chicoteie o corpo nu de outrem
Antes que o seu próprio chegue ao chão...


O Couro e Látex brilhavam no escuro
Desenhando o corpo da jovem galdéria
Sem movimentos jazia seu corpo impuro
Sonho de mil noites era ela...
feéria... 



-Igor Thomas