14 de outubro de 2011

II

Leve-me para casa
Onde me renderei à tua beleza
Chore por mim um mar
E deixe tua voz em mim ecoar...


Sob as estrelas do teu olhar
Ei de achar meu luar
Casa, onde minha vida peleja
Onde espero que minha amada esteja...


-Igor Thomas

I


Doce melodia da solidão
          Sinfonia em vão
Veludo e seda, velado e sedado
          Suave é meu agrado
Barbárie em forma de música
          Sua é a minha vida...


-Igor Thomas

26 de setembro de 2011

Pertenço

Ainda era madrugada quando ela chegou 
E cálida sussurrante em meu ouvido falou: 
"Você ainda aqui pertence" 


Voltam-me coisas além-mundo
Um lugar donde sou oriundo
Ela diz: "Você ainda aqui pertence"

Ouvi ruídos implorando, clamando e chorando...
Gritando e murmurando... às memórias cedendo
E elas voltam, ricocheteiam na imensidão do meu ser
Mémórias d'Ela, que fora uma vez meu bem querer...
"Você ainda aqui pertence"


Ainda a escuto cantar, como as asas dum anjo a farfalhar
Sua bela voz ainda ecoa no ar, como as ondas do mar...
Foste e deixaste minh'Alma em torpor
Eu, ingênuo, dissera que era complacente da dor
Ela diz: "Você ainda aqui pertence"

Deixa-me ir Lenora, dos teus cuidados eu preciso agora!
Luto, em vão, para manter-me são... Mas meu coração chora
Tua ausência leva-me, facilmente, à demência
Uma vez mais, seja minha? Juntar-me-ei a ti, e ó Deus, tenha clemência!
Ela diz: "Você ainda aqui pertence"


Ouvindo sua bela voz o desespero esvai-se enfim
Deito em minha cama e descanso
Ainda não é a hora do meu fim...
Ainda aqui pertenço...
Mas nela, nostalgicamente, ainda penso...


-Igor Thomas

30 de agosto de 2011

Sonho

Há sentido na sanidade?
Ou a sóbria sombra da maldade?
Sã e soturna enfermidade
Piedade...

Pois hoje, em minha insanidade...
Sonharei um sonho só: sozinho, sonâmbulo, saciando a sede de ser seu.




-Igor Thomas

6 de agosto de 2011

Ela lia ali...

Lia...
Estórias, contos e poesia
No entanto o encanto do canto ao canto
Era ainda o que causava o pranto


O choro e a chuva misturavam-se na face
Enquanto lia Rimbaud, Poe e Bocage
Via a bela voz e ouvia a poesia
Atemporal sentimento noite-e-dia


Inescusável nostalgia dessas linhas
Ela ainda em torpor dizia
"Faço das tuas, as palavras minhas"

E em toda essa eterna calmaria
Onde as personagens se misturam à vida que definha
Ela lia ali, e sozinha, sorria...










-Igor Thomas

2 de agosto de 2011

Anis Mojgani

“O que criou a beleza da Lua?

E a beleza marina?

Tal beleza criou a pessoa tua?

Tal beleza criou a pessoa minha?

Será que me fará algo?

Serei eu algo?

Eu sou algo?

E a resposta vem: Eu já sou, sempre fui, e tempo para ser, ainda há.”

- Tradução por: Igor Thomas Gehard


"What made the beauty of the moon?
And the beauty of the sea?
Did that beauty make you?
Did that beauty make me?
Will that make me something?
Will I be something?
Am I something?
And the answer comes: I already am, I always was, and I still have time to be."

- Anis Mojgani

15 de julho de 2011

Albatroz

Oh grande ave palmípede dos mares austrais
Corta o vento com teu magnificente voo
Carregando os sonhos em seu adorno
Levando consigo o temor e a dor, o odor e o sabor e todas as realidades tais...


Sinergicamente voa vozes visuais e corais, marés...
O profundo azul faz alusão à vã ilusão do alvorecer em tuas asas
Finda-se o dia no torpor do teu rasante, e o mar em brasas...
Faz-se noite, lusco-fusco, crepúsculo vejo-te do convés...


Albatroz, feroz, tenaz e sagaz
vindo dos mares austrais...
Que minh'Alma, nas tuas belas asas, descanse em paz....




-Igor Thomas

4 de julho de 2011

Estórias reais

O dia estava frio, acendeu um cigarro pra se esquentar. Se queimou e fez um furo na meia-calça enquanto esperava o tédio passar.



Todo domingo ia à Igreja, levava uma vida sadia, não fumava nem bebia, "um santo", sua mãe dizia. Morreu atropelado em frente a padaria.
 

Fingiu não se importar com a presença do homem que amava, decidiu fazê-lo em casa, chorava, chorava. No fim, que homem sou eu? Se perguntava.



Era um solitário final de domingo às 22:04, sozinho jogava xadrez no quarto, e de tão desolado, perdeu.






 -Igor Thomas