Botas de couro

Acordou com os lábios ressecados
O fogo das velas oscilava hipnoticamente
Sombras projetavam-se como pecados
Nas paredes de sua mente doente...

A tênue luz revelava as entranhas do quarto 4
A sombra escapava entre os seus finos dedos 
Enquanto uma surreal pintura saltava do quadro
No canto do cômodo jaziam seus impuros medos

Num estado latente poderia dormir por mil anos
Sonhando um sonho de lágrimas feitas de cores 
Caprichos da loucura ébria e seus efeitos indolores
E o cheiro do coito propagava-se aos cantos


Criaturas do submundo e do desejo
Vênus em pele de mulher
Meretriz em botas de couro
Em seus adornos vorazes que usava para qualquer...


E se a rameira não fosse sua, Não seria de outro alguém...
Criança da noite, cure seu coração
Chicoteie o corpo nu de outrem
Antes que o seu próprio chegue ao chão...


O Couro e Látex brilhavam no escuro
Desenhando o corpo da jovem galdéria
Sem movimentos jazia seu corpo impuro
Sonho de mil noites era ela...
feéria... 



-Igor Thomas


May Belle

Belaz Belle
Todos os panegíricos são para ela
Voraz e Bela
Incita desejos com a pálida pele

Minha rosa escarlate
Tu és a mulher que eu sempre quis
Minha Flor de Lis
A inspiração para toda a arte


E seus movimentos fazem-me ver mágicas d'outro mundo
Quando dança, Ela filha da noite e do dia
Leva-me aos sonhos em que eu morreria
Para ter seu corpo apenas por um segundo


E seus olhos de esmeralda
Perfuram minh'alma dormente
Ascendendo-a de forma latente
Deixe-me tê-la, Ó minha amada

May Belle
Minha Dulcineia
Musa da minha epopéia
Por você eu abdicaria o céu


Ó Lucifer
Deixe-me ao menos uma vez
Entrelaçar-me ao cabelo carmin e tocar a pele
De May Belle...


-Igor Thomas

Vento do Norte


A nua pele pálida perece
Sob a pútrida e pestilenta prece
Enquanto à treva adormece
Cálida carnífice calada
Sinto, na face, o voraz vento vindo do norte
Cantarolando o som da morte

Repousa o volátil corpo pouco
Ao lado do féretro opaco, negro
Fez-se sua sepultura ao som rouco
Do vento do norte, vento da morte
Levou-te para longe, deixando-me à própria sorte

E a memória martiriza minha melomaníaca alma
Mantendo-me ligado a ti
Eterna e melodiosamente em minha mente doente
Porém nunca mais aqui

Mente doente, Oh Deus... Lembro-me lentamente
Não fora o vento do norte
Não fora esta a causa da tua morte!

Você veio a mim, linda e lapidada, amante calada....
Tão bela que quis conservar-te assim, minha amada!

Envenenei e matei meu amor na noite passada...



-Igor Thomas

Para Os Lábios


Cognoscitivo tempo doente
O som dos segundos soam
Como horas, corroendo-me lentamente
Meus sonhos tomam asas e voam


Rastejando os dias sem tua presença
Onde não há nada além da doença
Doença lascívia do meu desejo
Propagando-se desde teu beijo


Dédalos lábios lascivos, latentes, ardentes...
Ah! Como grassa em minha mente!
Ah! Como desejo-te veementemente!
Tocar teus lábios lascivos, latentes, ardentes...

E novamente vem o tempo...
Carregando-me lentamente rumo a você
Levando o que há aqui dentro
E deixando-me à sua mercê


As horas se arrastam e o ponteiro mal percorre seu caminho...
Sei que nos veremos em breve,
Porém, essa noite dormirei sozinho...




-Igor Thomas

Mephistopheles


I
Faust:
 
Claiming immortality
No one ever think
For us there’s no eternity
This cup of poison we all drink

There comes the time to join the dead
When all hope is lost it’s been said
He appears with his grinning face
A temptation in all the ways…

II
Mephistopheles:
 
I’m the god of second chance
Would you like to join me in this dance?
I shall set you free
There’s no need to bleed

Now you claim to be alive
I shall ease your suffering
There’s no need to strive
To be saved I just ask for one thing…

III
Faust:

Frightened by the demon in front of me
While I feel the darkness grow around
Am I going mad? Still I can’t believe
This madness knows no bounds…

Who are you endless creature of darkness?
What do you seek in a poor dying man?
Would you try to make me faithless?
Won’t you kill me? I know you can…

All I wanted was a second chance
A chance to do it right this time
To live again, this time I want no pain
Then I’ll share your dance
And everything shall be mine
I’m now prepared, to call you then…
Mephistopheles!

IV
Mephistopheles:

I am the one you seek
But you can never find
I am the one who moulds the night
The full moon of your endless sin

I just ask for your soul
So hold my hand now
You are not alone, no!
You may have it all!

V
Faust:

His eyes ablaze
My mind, a maze
My freedom I chase
I just want to laze

So I closed my eyes
Took his hand and heard his lies
Weak I was, my soul I toss
In the hellish fire and moss

VI
Mephistopheles:

You are my Faust
My new little toy
You’ve paid such a cost
To whom just wanted joy

Now you are mine
And there is nothing divine
That can save you from me
Now get down on your knees
And pray to Mephistopheles!


-Igor Thomas

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